domingo, 11 de setembro de 2016

Escudo Interno


 Tantas camadas de proteção plastificada
 Encobrindo a fragilidade
 Do coração;
 Metade orgulho, metade insegurança
 Juntas não formam
 Uma boa combinação;
 Em seu mundo solitário,
 Existem muros
 Árduos de derrubar;
 Desses paralelos tanto consegue omitir
 E, ao invadir,
 Não há como escapar.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

 Encontros e Esbarrões



 Eu não queria muito, só o que falta em mim. Não exijo o mundo, mas aceito compreensão. E o teu coração. 
- Seja justo e não o peça de volta.

 O que está errado, que eu nunca sei? O problema sou eu, ou esse é um caso singular em que menos com menos não dá mais? Pois não sei bem qual é o problema, e dessa forma não tenho a quem culpar.
 Creio que a pessoa certa deveria nos achar, ao invés do contrário. E há uma grande diferença entre encontros e esbarrões.
 Encontrar uma pessoa, mesmo sem estar procurando, é achar aquilo que no fundo sempre desejou - e provavelmente, a não ser que você seja superficial, é mais do que a embalagem. Esbarrar também é achar, por acaso, porém não efetivamente encontrar. É mais externo que interno... E, como todo esbarrão, o adeus é seguido do pedido de desculpa. É algo que por um momento pode durar a eternidade (se observado pelo lado sensível) e ter olhares flamejantes, talvez também envergonhados, mas que não se mantém. Enquanto o esbarrão se associa ao efêmero, o encontro é mais vinculado - e nem preciso dizer que você foi o esbarrão.
 Então por que perder tempo, tendo o diagnóstico da situação? Eu não sei. Esperança boba que não nos deixa desacreditar. Mas acreditando assim, desgastando assim, um dia se quebrará.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Comentários Sobre

Por Lugares Incríveis










 Esse é um daqueles livros que quando a gente termina de ler, quer sair recomendando e pensa que o mundo inteiro merecia lê-lo. Toca nos assuntos depressão, suicídio e transtorno de bipolaridade,
temas delicados mas muito importantes atualmente com essa geração da "bad" e a tristeza decorrente que os jovens expressam nas redes sociais (ok, parece que estou fazendo uma redação usando essa linguagem, vou parar kk).
 A história é linda, triste mas realista, do estilo que eu gosto. Já vi algumas pessoas alegarem que não leem livros assim porque não gostam de histórias tristes, mas são as histórias tristes que mostram a verdade que a gente tanto luta pra esconder com sonhos. É claro que é bom fugir da realidade sempre que possível, só não podemos ficar só nisso e deixar de lado a realidade e o que está acontecendo no mundo, e esses assuntos estão tendo importância no momento em que vivemos. Principalmente na adolescência, com tantas incertezas, caminhos e possibilidades de errar.
 Com todos os problemas, essa é também uma história de amor. Só achei que a Ultravioleta poderia ter tido mais interesse nos problemas de Finch e o ajudado mais. Ela foi meio decepcionante nessa parte, mas tudo bem, porque é a realidade: no geral, as pessoas são egoístas, só percebem os erros depois que não tem mais jeito. É o que a maioria faria no lugar dela. Enfim, sem mais spoilers kk.
 Tem o ponto de vista dos dois a cada capitulo, alternando, e isso é ótimo pra perceber as diferenças dos mundos deles, de como pensam. Recomendo muito esse livro ♥. Pra entender mais sobre esses distúrbios e pra conhecer esse casal, ambos inteligentes, com muito amor e aparentemente normais, mas com uma confusão por dentro. E que, de alguma forma, salvaram um ao outro.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Refúgio



Num dia cinza,
De gosto amargo,
O clima pesado,
Descontrole iminente
Das lágrimas já cansadas de segurar.
O silêncio doce
De nada mais haver
Além das batidas
Do teu coração.
Quase como avistar terra
Estando perdido no mar.
Em meio aos tantos traumas,
Ao menos em um momento,
Encontrei a calma.

domingo, 12 de junho de 2016

Hair flip



ashuashuas tinha que ser esse gif 

 Foi totalmente por acaso. Uma garota tirou o boné dele para brincar com o cabelo e, no momento que jogou a franja... Oh, não. Era o fetiche dela. Foi automático.
 Ela ria da bagunça que a garota fazia no cabelo dele, que não importava o quanto mexesse nunca desarrumava, então ele levantou o olhar e viu o sorriso dela. Aquele sorriso, que o fez ficar desnorteado por alguns segundos.
 Ela parou de sorrir.
 Ele continuou olhando.
 Eles se entreolharam.
 Não existiam mais pessoas ao redor, nem conversas, nem barulho algum. Só conseguiam enxergar um ao outro, parados no momento.
 Ela começou a observar os detalhes, pois não queria perder nada daquilo, só que não conseguia se concentrar direito. Quase olhou para trás, na duvida de se o olhar dele estava mesmo fixado nela, e não em qualquer outra pessoa. Mas era ela, e essa duvida nem deveria existir. Mais claro que isso, só se ele segurasse seu rosto com as duas mãos para que percebesse (e com a lerdeza dela, talvez nem assim entendesse).
 Se uma bomba explodisse naquele momento nenhum dos dois iria notar.
 Ela sorriu de novo, mas desviou o olhar. Ele ficou observando enquanto ela ria, porque não conseguia desviar e nem ao menos tentava. Ela notou que ele ainda a olhava e enrubesceu.
 Então eles se afastaram, ainda se procurando entre a multidão.
 E o estrago já estava feito.

domingo, 29 de maio de 2016

A Verdade Sobre o Ensino Médio



 Uma selva cheia de regras subentendidas, grupinhos e espectadores. Sempre parece que ninguém que está lá liga realmente para algo e qualquer coisa é motivo para brigas, ou beijos.
 Lotada de pessoas convictas do que querem, cheias de certezas, que só são reais naquele momento. O presente é infinito, o passado é aprendizado - ou não - e o futuro descubro depois. Diversão vindo antes das responsabilidades, julgamentos, pouco tempo para tantos sonhos. Pressa de querer tudo ao mesmo tempo, de uma vez só, como mágica. Busca incansável por alguma coisa que nem se sabe o quê. Muito sono e fome. Uma loucura, confusão e produção de hormônios tão absurda no que na verdade deveria ser apenas uma época de estudos e preparação para a vida adulta. Mas na realidade, quem liga para os estudos? Vivem como se o mundo fosse acabar amanhã, ou na próxima hora, ou nunca pudesse acabar e tudo ficasse para sempre como está.
 Todo adolescente é meio assim: quando está triste, a vida é uma droga, ninguém te entende e quer sumir; quando está feliz, quer dar risada de tudo e jogar confete por aí. Nada da perfeita-vida-padrão-colegial-americano dos filmes, mas continua sendo juventude e em consequência, se você procurar loucuras, terá.
 Enquanto isso, alguns só assistem tudo acontecer, analisam rosto por rosto, amaldiçoam e comentam em pensamento, se entendiam e se divertem, querendo ter a coragem deles de estar ali também, ou simplesmente desejando sumir de tão ridículo ambiente.

sábado, 5 de março de 2016

  Apenas a observadora



 Sou apenas uma observadora. Vejo do lado de fora da janela, sem entrar ou sequer bater. Recolho histórias, pedaços, peças. Não testo, não intervenho nem mexo. Uma forma de não cometer erros é simplesmente nada fazer. Esse é o meu papel: apreciadora da arte, não criadora; somente a leitora das histórias, que não tem permissão para altera-las. A proposito, nem existe uma permissão. Mas eu preciso de uma justificativa a minha covardia.
 Enquanto correm em busca do centro, mais me identifico aos bastidores. Quem está no palco perde muitos detalhes, ocupados demais sendo aplaudidos, ou vaiados... Disso não há como fugir. No entanto, quanto mais em destaque com mais cobranças se tem de lidar. Já me cobro o suficiente, e obrigada, não é preciso mais.
 Você pode ter a aprovação de todos, mas se não tiver a sua, de nada vale.
 Queria mesmo era poder fazer versos como criança sopra bolhas de sabão, as vendo estourar e sumir, leve e de brincadeira; que guarda desejos para usar nas velinhas de aniversário.
 O melhor dessa época é que você acreditava que qualquer coisa poderia se tornar realidade.
 Mas e agora? Ainda acredita?