sábado, 5 de março de 2016

  Apenas a observadora



 Sou apenas uma observadora. Vejo do lado de fora da janela, sem entrar ou sequer bater. Recolho histórias, pedaços, peças. Não testo, não intervenho nem mexo. Uma forma de não cometer erros é simplesmente nada fazer. Esse é o meu papel: apreciadora da arte, não criadora; somente a leitora das histórias, que não tem permissão para altera-las. A proposito, nem existe uma permissão. Mas eu preciso de uma justificativa a minha covardia.
 Enquanto correm em busca do centro, mais me identifico aos bastidores. Quem está no palco perde muitos detalhes, ocupados demais sendo aplaudidos, ou vaiados... Disso não há como fugir. No entanto, quanto mais em destaque com mais cobranças se tem de lidar. Já me cobro o suficiente, e obrigada, não é preciso mais.
 Você pode ter a aprovação de todos, mas se não tiver a sua, de nada vale.
 Queria mesmo era poder fazer versos como criança sopra bolhas de sabão, as vendo estourar e sumir, leve e de brincadeira; que guarda desejos para usar nas velinhas de aniversário.
 O melhor dessa época é que você acreditava que qualquer coisa poderia se tornar realidade.
 Mas e agora? Ainda acredita?